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NO QUE BASEAMOS A VIDA

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Sou um velho aluno, educado em uma velha escola, melhor dizendo, educado a maneira antiga, onde se valoriza os pilares da honra, da sabedoria, do conhecimento e do tempo. Foi assim que respondi a um amigo professor que se queixou do comportamento de um aluno seu.

Assim não me enquadro no período temporal construído pela mente daqueles que se afirmam atuais, onde a liberdade excessiva corrompe o ser humano sem que este se dê conta.

Continuando a história deste amigo, estava ele ministrando sua aula quando foi interrompido com a frase: “ Já está bom né professor. Já chega, podemos ir embora porque é tarde né e sabemos esta matéria, o senhor já falou sobre ela um dia destes. “ Creio eu que se os alunos tivessem compreendido a matéria ele não estaria novamente dando ênfase nela, não é mesmo?

Este relato me fez pensar que antes os verdadeiros alunos, olhe bem, estou dizendo os verdadeiros alunos, buscavam incessantemente o conhecimento. Buscavam a figura do mestre, do professor, do pai, do mais velho, do sábio. Mas isto foi em um tempo perdido, tempo onde era difícil o acesso ao conhecimento e sabedoria, época onde o ancião formado pela vivencia de seis ou oito décadas era importante.

Temos hoje um mundo onde o acesso as coisas e feita com um click no computador, e este pequeno gesto nos dá informações gigantescas em volume e profundidade. O aluno se torna mestre em poucos anos, talvez meses ou semanas, adquire conhecimento e talvez um pouquinho de sabedoria, mas nada de experiência.

Este simples click matou o esforço que o discípulo devia desenvolver em seu caráter, destruiu a humidade que é construída pelos vieses da vida, fez crescer por dentro da mente estagnada uma semente defeituosa sobre o que se compreende de paciência, tolerância e por fim desvirtuou o significado da palavra honra.

Para muitos a honra é nada mais nada menos que deixe eu fazer o que penso ser certo, mas fazem isto sem pensar. Atitude que nos conduz a estar constantemente de mãos dadas com atos que nos levam a ter e possuir em vez de ser.

Honra tem a ver com servir, mas servir com gratidão, com humildade, com perseverança, com educação contínua e permanente, com alegria, simplicidade.

Honra tem ligação com a manutenção dos conceitos antigos mais profundos que estabelecem a relação Mestre-aluno.

Aquele ou aquela que não sabe ou se confunde onde é clara a linha que divide o mestre e o aluno, muitas vezes senão sempre se colocara acima daquele que possui o conhecimento em forma de sabedoria e experiência organizadas pelo tempo, o seu Professor.

Como disse sou um aluno que pensa de forma antiga, mas não desprezo o que é moderno ou contemporâneo, mesmo porque no exato momento em escrevo estas palavras se recorresse a um dicionário ou aos meus Professores e procurasse o que é honra, humildade, gratidão, perseverança a resposta hoje seria a mesma de antigamente.

O que mudou não foi o Professor, não foi o significado das palavras, não foi o conhecimento, nem tão pouco as formas de sabedoria. Foi o aluno que se acha mestre de si mesmo, que se imagina em um mundo onde ele é o senhor absoluto. Mente grande, mas vazia, coração pequeno açoitado por guerras, espirito sem aquisição de força e caráter.

Este é o grande desafio, caminhar com honra entre os homens. Esta é a grande dádiva honrar seu professor. Somente quem realmente estudou e compreendeu os antigos conceitos que regem a proximidade Mestre-aluno segue na estrada mais antiga trilhada pelos ancestrais do povo Shizen.

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