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PENSAMENTO: A FORÇA MOTRIZ DESCONHECIDA

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Raramente pensamos como tomamos as decisões no cotidiano. Porque escolho o azul em vez do vermelho. Porque compro o carro em vez de uma casa. Porque escolho um sorvete de morango sabendo que tenho também a possibilidade do chocolate.

Não há como prever com exatidão nossas escolhas e tudo fica mais complicado quando queremos antecipar o que outras pessoas irão decidir.

Muitas das vezes o senso comum nos indica o caminho, mas nem sempre ele pode ser usado para justificar aquilo que decidimos. Escolhemos com simplicidade, mas o processo de escolha e uma via complexa, misteriosa e raramente percebemos isto.

Acho que fazer uma escolha é algo parecido como assaltar a geladeira na madrugada. Eu acordo e sei que tem na cozinha pão, café morno na garrafa e manteiga na geladeira, isto basta. Não necessito saber que abrir a geladeira no meio da madrugada vou provocar a ira daqueles que estão de regime. Ignoro saber se o pão que estou comendo se um padeiro teve que o trabalhar de madrugada antes que eu acordasse, e tão pouco como foi o processo de fabricação e distribuição da manteiga que chegou em minha casa. Enfim vou assaltar a cozinha na madrugada e pouco me importa se vou engordar ou provocar a terceira guerra mundial.

Ignoro que estou ignorando e me concentro apenas naquilo que desejo no momento, tomando decisões se me dar conta como faço as escolhas.

Tudo parece simples, mas vejamos um exemplo interessante. Quando os primeiros pesquisadores começaram a trabalhar com inteligência artificial e decidiram programar robôs para realizar pequenas tarefas doméstica, notaram que ensinar um robô a desempenhar qualquer função por mais simples que fosse era um desafio.

Como habilitar um robô a reconhecer o que é relevante ou não em um processo de limpeza doméstica? Na verdade, o problema é que a lista de coisas relevantes em situações simples já é uma tarefa muito complexa e tudo piora ao reconhecer que a maior parte de tudo o que é relevante pode também ser ignorada no processo de realizações das tarefas.

O cérebro humano consegue fazer isto com eficácia e nem damos conta que realizamos isto constantemente. Quando estamos indo para a escola ou trabalho estamos exercitando a tomada de decisões. Nunca fazemos as mesmas escolhas e muitas das coisas que podemos fazer ignoramos ou adaptamos para realizar as tarefas.

Sei que tenho um horário de chegada, que tenho diversas maneiras de ir ao trabalho ou escola e que neste percurso entre um ponto e outro todo dia vou fazer uma escolha diferente.

Sabemos, bom imagino que sim, o que é relevante ou não, o que posso ignorar ou não e apenas chego à conclusão que não pensamos como pensamos que pensamos.

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