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DOS PEQUENOS PASSOS

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Não se pode levar a vida sem ponderações e análises, mas até que ponto poderemos confiar nestas mesmas avaliações e reflexões que constantemente nos veem a mente? Bom a princípio devemos entender que o processo de construção do ser humano é uma constante, então o que pode ser uma resposta hoje, amanhã se torna dúvida daquilo que se acredita.

Para explicar isto vejamos um exemplo hipotético: E se possuíssemos apenas o sentido do tato para decifrar o mundo? Então ele seria nada mais ou nada menos que o momento imediato do contato e não mais que isso, nossa compreensão da vida se resumiria em um breve momento de encontro daquilo que somos com a experiência que o mundo sólido nos oferece.

O que diria então das relações complexas que um sorriso faz ao mostrar uma face acolhedora em que se pode confiar, simples este tipo de análise nos escaparia, pois, nossa realidade é construída a partir do contato e não da visão. O mundo seria incompleto, mas não saberíamos disso.

Não evoluímos só um dos sentidos para nos comunicar com a vida, existem outros e sabemos bem disto, mesmo assim ainda penso que o mundo é muito mais complexo e que os sentidos que nossa raça desenvolveu apenas capta uma parte do que realmente é o universo.

O mais importante é que mesmo rudimentar, esta nossa maneira de olhar a vida, conseguimos dar grandes passos e avançamos, mas estes grandes passos são apenas a somatória de milhares de pequenas e tímidas ações que resumem em pequenos movimentos na direção em que nossos sentidos nos guiam.

Eu confesso que estou em um grupo de pessoas que pensam que a realidade é nada mais que o que pensamos dela e que por sua vez nos é explicada por nossas experiências. Entre a realidade e a experiência coloque bem no meio, se assim podemos dizer a ilusão.

Então estamos sempre navegando entre aquilo que chamamos de real e irreal, qual oceano estaremos flutuando vai depender onde nossa mente nos leva e ainda mais qual é realmente a capacidade de compreendermos o mundo em nossa volta.

Eis a grande lição que um dia a mente se encarrega de nos ensinar que as experiências podem ser um falso guia para se conhecer verdadeiramente qual é a natureza da realidade. Lembra do exemplo acima quando supomos ser dotados apenas do sentido de tato?

Se rudimentar é nossa capacidade de ter experiência com a realidade também rudimentar será os conceitos a respeito do mundo em que vivemos. Eles podem ser perfeitos – dentro da proposta daquilo que podemos captar–, mas limitados a nossa capacidade de compreensão.

Devemos entender que o mundo fornece apenas a luz para que possamos nos aprofundar no entendimento de uma realidade mais próxima das verdades dos mistérios oferecidos pela vida, que são as ferramentas necessárias para refazer a nós mesmos perante as experiências oferecidas pelo universo que nos cerca.

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