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O DESTINO DAS FATALIDADES

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Este ano de 2016 faz aproximadamente oitenta anos que físico teórico austríaco, Erwin Schrödinger propôs a experiência mental do gato na caixa para tentar descrever a interpretação da mecânica quântica feita em Copenhague.

Em resumo temos um gato preso em uma caixa que pode estar vivo ou morto, mas sem abrir a caixa não sabemos. O gato está como disse quase oitenta anos em um estado vivo-morto ou morto-vivo se preferirem. O interessante é que ainda pensamos como ele está ou como gostaríamos que estivesse.

O fato é que não temos resposta, pois todas as possibilidades são passiveis de acontecer. Criamos várias realidades que podem se tornar reais, mas ainda são apenas possibilidades. Sem abrir a caixa não podemos dar fim ao enigma.

Assim a vida também segue a ideia do experimento mental do gato de Schrödinger, não sabemos se iremos na próxima curva encontrar a felicidade ou não, enquanto ficamos a um passo da virada estamos em um estado parecido, só que desta vez é um tipo de feliz ou não.

Podemos aplicar isto a esperança, ao amor, ao emprego pretendido, aos estudos, enfim a todas as coisas que podem e ao mesmo tempo não podem acontecer.

O problema é que tanto no experimento da caixa do gato quanto no experimento da vida tendemos acreditar ou no mínimo mentalizar o pior estado. No caso do gato, morto, no caso da vida os desencontros que nos levam a falhar.

Ora se temos duas possibilidades e dentre estas temos infinitos níveis de acesso porque não escolher a que nos leve ao gato vivo? A teoria fala que podemos esperar que coisas boas também podem acontecer.

Não podemos culpar a caixa, o gato, a esquina ou alguma situação que nos leve a pensar no pior cenário. A autoria do pensamento é nossa e de mais ninguém.

É o mesmo que olhar para o céu e dizer que algum dia um meteoro vai extinguir toda vida, isto pode até acontecer, mas até agora quando vejo um cruzar o espaço a noite é apenas um lindo facho de luz que desaparece quase que instantaneamente deixando na mente apenas a beleza que sua passagem proporcionou.

Por quase oitenta anos a humanidade ainda não decidiu se o gato na caixa de Schrödinger está vivou ou morto, mas decidi a muito tempo abrir a caixa e deixar a vida acontecer.

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