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O PREPARO

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Todos imaginam que o final de um grande desafio é a conquista. Sinto muito, mas quem pensa assim pensa pela metade. Não podemos começar qualquer jornada pensando nos ganhos que poderemos ter o na vitória.

A grande maioria inverta a lógica do planejamento. Vejamos, entender o amanhã dentro de uma visão estratégica não é só desenhar a realidade com informações do passado, presente e futuro. Os cenários mudam dentro das incertezas que não podemos controlar, partindo assim então desta premissa fazer previsões de possibilidades com a intensão de reduzir a derrota é um início, mas não é tudo.

Destaco aqui três perguntas que sempre faço quando tento ter lucidez para enxergar um futuro próximo. A primeira é, o que eu sei? Muitos subestimam a ordem das coisas, acreditam que já conhecem demais do assunto ou da vida e dão passos com sandálias dos soberbos. Nunca saberemos muito ou demais sobre tudo, por isto devemos sempre voltar a prancheta e rever aquilo que imaginamos estar certo, no lugar certo e com suas características conhecidas. Qualquer mudança modifica tudo o que conhecemos e nos coloca em posição de ignorantes.

A segunda é, o que eu tenho? Ter aqui vai do sentido físico, da capacidade de agir e moldar os cenários por força própria como estar ciente de que se pode movimentar nos fatos e acontecimentos influenciando e se deixando influenciar para no decorrer das ações chegar no cenário previsto.

E a última é, o que eu quero? Qual é a razão ou o motivo que nos faz levantar os pés na direção daquilo que desejamos ou de certa forma planejamos? Se temos dentro de nós um motivo nobre ele com certeza vai nos preparar para os momentos mais difíceis, porque não estaremos presos ao presente de dificuldades, mas ao futuro promissor de nossa caminhada.

A motivação não é algo do presente, pode até ser, mas é uma palavra que atua em nossa mente evocando um futuro melhor, na esperança de que as intempéries que nos castigam serão passageiras.

Não é sempre que estaremos preparados, mas podemos nos preparar durante a jornada, assumindo assim cada vez mais controle de um amanhã onde certamente as conquistas não nos enganaram com uma vitória momentânea. Porque enquanto houver vida, haverá batalhas a serem travadas

espelhos da vida

VERDADES RELATIVAS OU MENTIRAS ABSOLUTAS?

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Espero que chegue um dia em que possamos olhar para a vida lá fora e compreender mais que entender que chegamos a pouco tempo neste mundo.

Não somos os seres mais importantes, temos sim nossa importância, mas estamos longe de ser a chave para os mistérios deste universo. O mundo, a natureza, o ecossistema, gaia, terra seja lá o que for que estamos acostumados a chamar, está anos luz a frente com suas faces, relações e interações complexas.

Podemos explorar os recursos naturais e sobreviver, mas pouco temos feito em relação a exploração e descobertas internas. O muito que já foi feito é apenas uma lâmina d’água se comparado ao oceano profundo que é a vida.

Rompemos fronteiras no espaço aberto do sistema solar e pouco conhecemos da mente humana que a cada dia que passa nos mostra o quanto é vasto nosso mundo interno.

Agimos ou reagimos de maneira a dizer e contradizer ao mesmo tempo. Controlamos e muitas vezes somos controlados. Tudo isto é uma mistura de fatores e causas que nos impõe ou em certas vezes nos impede de atuar.

Não podemos olhar a existência pela média matemática, pois estaríamos criando tendências que não refletem o mecanismo de funcionamento da vida. É dar razão ao que a maioria pensa, e falando nisto, quem disse que a opinião da maioria sempre está correta.

Aqui lembro um fato que a ciência tenta esquecer, mas que na época foi defendida ardorosamente por muitos, inclusive ganhou um prêmio Nobel, a pratica da lobotomia um dos capítulos mais horrorosos que a humanidade silenciosamente acompanhou e defendeu por muito tempo.

A lógica criada pela aritmética da maioria e que constrói uma média, introduzindo um pensamento que cria uma tendência em atuar ou comportar pode ser um programa perigoso e autodestrutivo não só para raça humana, mas para a vida de todo o planeta.

Fazemos parte de um mecanismo maior e nem por isto podemos deixar de trabalhar e atuar de forma independente das influencias e pressões externas. Ter vida própria em alguns casos significa olhar pela janela e ter opinião sobre o que está acontecendo com o mundo lá fora, é se expressar indo de encontro com o que está fora do eixo, literalmente é nadar contra a correnteza, porém com sabedoria.

Somos únicos em espécie, mas não somos os mais importantes. Cada um de nós é uma criação singular sem repetição e sem igual. Mas com o tempo vamos nos uniformizando e nos colocando na caixa rotulada das mesmas coisas. Então se somos mesmo únicos por que é que devemos trabalhar nossa vida como se “eu fosse ser você amanhã? ”

costume

O COSTUME DE REFLETIR

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Não podemos passar os nossos dias sem uma profunda e constante reflexão daquilo que nos transforma. Via de regra não somos mais hoje o que éramos ontem e ainda não chegaremos amanhã da mesma maneira que estamos agora.

Movimento, a vida é movimento, dizia meu Professor de E-Bunto. Nada e nem ninguém escapole desta lei universal. Por outro lado, existem mestre e professores que aguardam nossos olhos, nossa atenção para nos ensinar.

Um bom mestre e gosto sempre de conversar e aprender com ele é o bom senso, ele de forma simples coloca as cartas na mesa e diz como são as regras das escolhas que podemos fazer.

Posso escolher ficar triste e com isto perder as cores da vida por alguns instantes. Não é proibido se entristecer, o que não pode se comum e estar adornando nossa vida somente com tristeza. Sei que é difícil, os que perderam entes queridos ou que passam por dificuldades que o digam, mas a vida tem seus mecanismos pedagógicos, que vão muito além de nossas explicações e compreensão.

Posso ficar com raiva, e transformar esta raiva em fúria, e como um louco odiar a tudo e a todos, imaginar que o mundo está contra meus planos de sucesso me fazendo fracassar sucessivas vezes. Isto é muito comum de acontecer quando em vez de olhar para o horizonte plano e límpido, estamos focados em nosso umbigo. O universo existe para nos servir, pode até ter um fundinho de verdade nisto, mas não devemos esquecer que também devemos retribuir o sopro da vida que nos foi dado neste vasto mundo das coisas.

Sou único, mas não possuo exclusividade para estar à frente de outros, tudo tem a sua hora e, portanto, um dia trabalhando sem parar chegará minha vez. E quando isto acontecer vai ser bom saber que vivi até este momento sem rancor ou revolta.

Nem tudo é demorado, o que nos parece quase eterno de acontecer é porque não cultivamos a paciência e a perseverança. Posso ser aprendiz do melhor Mestre, mas se não for um bom aluno é bem provável que me decepcione.

A questão em relação a decepção é que na maioria das vezes ela procura se explicar com conceitos e raízes fora de nós. A vida é decepcionante, o amigo não é interessante, a novidade não importa, o fracasso é impiedoso. Temos a convicção que o mundo lá fora é que está errado ou no mínimo bagunçado. Não olhamos para dentro, e um dia, quando isto acontece entendemos que tudo estava em perfeita harmonia. Eu é que simplesmente me recusava a me aceitar como imperfeito e além disto me consertar, aparar os defeitos para que pudesse me encaixar na vida, no mundo e nas coisas.

Basta apenas um pensamento, uma pergunta, uma ponderação e a prudência nos chama ao bom senso e este nos ensina que tudo é grandioso e por fazer parte do que é grande também somos grandes.

O especial de tudo é saber que não precisamos ir longe para compreender os segredos da vida, mas desvendando cada um, passo a passo iremos muito além dos lugares que um dia imaginamos.

esfera

UMA DIMENSÃO DOS FATOS

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Nada é tão fácil falar das coisas como elas são, mas fazemos isto constantemente quando exprimimos nossas opiniões sobre a vida, das pessoas, do trabalho que achamos que fazemos e o trabalho que outros deviam fazer.

Andamos por aí, no mundo, dando explicações plausíveis sobre todas as formas de acontecimentos e fatos. Pode até ter sentido, mas no final só faz sentido mesmo é para nós. Fazemos isto para tornar a vida suportável, escutei isto de um conhecido.

Saber quando e onde é um mérito que estamos carregando a muito tempo, somos doutores em destilar os acontecimentos do passado, do presente e até damos pitacos sobre o futuro.

O que ainda não fizemos ou por preguiça ou por ignorância é estudar os objetivos e motivos, engrenagens, mais internas da realidade.

Criticamos a mania do vizinho com propriedade, entendemos quando começou e onde nos prejudica, mas não estudamos a luz de uma análise mais profunda que motivo ou objetivo o levou a ter este ou aquele comportamento.

Vivemos uma realidade que se expressa em três dimensões – sem aprofundar fisicamente no assunto – mas quando olhamos o mundo sem ter a prudência de se colocar em outra posição espacial, e em especial, quem ou o que criticamos, criamos uma imagem que não confere com o fenômeno observado.

O que é um ponto em um eixo de observação, pode ser um círculo se olhado com mais atenção, que por sua vez pode ser uma esfera quando possuímos a lucidez da observação. Tudo vai depender o quanto estamos dispostos a abandonar uma visão reta, curta e econômica dos fatos, para trabalhar na dinâmica maior e mais abrangente.

Por isto temos que ter sempre em mente que muitas das vezes sabemos quando e onde, mas ignoramos os motivos e muito menos os objetivos que a vida nos apresenta.

bolas

É DE QUEM CHEGA PRIMEIRO

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Na eterna competição em que passamos pela vida poucas pessoas usam a frase acima “é de quem chega primeiro” em terceira pessoa. Digo em terceira pessoa, pois na corrida pelas conquistas vamos de certa forma abandonando os amigos, os parentes e conhecidos.

Na selva de pedra o que vale a lei do vencedor, o restante ficou pelo caminho, e ninguém se imagina ou deseja ficar para trás.

Outro dia escutei de uma amiga que ela prefere ficar em terceiro lugar em uma competição do que em segundo. Sua justificativa é: “Se não posso ser a melhor então não quero ser o segundo lugar. ”

Uma pena que a grande maioria de nós também compartilha desta “perola de sabedoria”. Entendo que a vida nos é apresentada em forma de competição, mas não é de competição que faremos nossa jornada.

Em um outro ponto de vista gosto quando um pai chega primeiro no seu filho e conquista sua confiança com bons exemplos, antes o pai chegar primeiro do que um traficante não?

Também é bom pensar que tentamos ganhar na corrida da vida em nossa profissão, seja ela qual for, trará benefícios a sociedade.

O engenheiro pode calcular o que é necessário para o tamanho da obra, mas não é ele que a edifica com as mãos. O médico pode curar os pacientes, mas não é ele quem limpa, leva bom ânimo e boas palavras enquanto o enfermo recupera, são os anjos – como eu me refiro – as auxiliares de enfermagem e enfermeiras que dão o constante plantão.

Não quero aqui diminuir ninguém, todos tem o seu valor, mas devemos ser sábios em desejar chegar em primeiro.

Desejo a parti de hoje…

Levantar e respirar o primeiro ar da manhã com os primeiros raios do sol.

Fazer um delicioso café, esperando que todos na casa acordem com o gostoso aroma que se espalha e deem aquele sorriso matinal infantil pensando que alguém se importa com eles.

Chegar bem cedo em meu serviço e com alegria trabalhar para que todos também fiquem alegres.

Sorrir primeiro que todos.

Ser o primeiro a elogiar e o último a criticar.

Abrir os meus braços em sinal de um abraço fraternal ou amoroso, demonstrando que posso ser o primeiro a acolher tanto nos tempos difíceis quanto no tempo de amor.

Agradecer antes de tudo e apesar de tudo.

Olhar para o alto antes que o sol desapareça.

Chegar em casa, se possível o primeiro, para aguardar aqueles que mais amo e no final do dia, sem ser o primeiro a dormir, olhar no quarto que todos estão seguros e embalados no sono, então agradeço por ter chegado em primeiro na vida daqueles que amo. (Giovanni Nunes)

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TODOS TEMOS ORIGENS

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Não creio que exista superioridade entre os diversos estilos de combates inventados e assimilados pelos homens. É notório que as diferenças existem, porém gostaria de tocar ou melhor falar um pouco sobre isto, evocando o berço de nossa existência.

Só conseguimos chegar onde estamos hoje, porque conseguimos conceber a compreensão do abstrato em nossas mentes, um ponto importante se analisarmos que este pequeno passo, mas importante, que nos ajudou a assimilar e explorar o mundo e a realidade nossa através das ideias.

Ver os a natureza e saber de que alguma forma poderíamos aprender e dominar sua força e efeitos nos ajudaram a criar o que chamamos hoje de civilização. Não sou o perito para falar sobre o aparecimento dos primeiros aglomerados humanos, mas quando eles começaram a acontecer tudo mudou.

Havia-se a necessidade de produzir mais alimentos, de se organizar de modo que as leis pudessem proteger a sociedade, esta que a cada dia além de exigir mais comida, também necessitava de segurança.

Criamos uma complexa rede de relações onde alguns imaginavam e orquestravam os acontecimentos que pudessem unir as pessoas, os primeiros administradores mantinham o povo em segurança e paz dentro do possível. Enquanto alguns, trabalham na produção de alimentos, na confecção de cerâmicas ou na forja de metais outros foram designados para segurança.

Aqui segurança podemos ter dois caminhos, os construtores que cercavam as redondezas dos primeiros aglomerados humanos e aqueles que se dedicavam as primeiras artes de guerra. Pode parecer simples hoje, mas antes quando não havia nada, nenhum exemplo, o homem passo a passo mentalizou, se abstraiu e finalmente colocou em movimento o corpo.

O que posso falar, nascemos hoje capacidade de leitura, escrita e matemática que são desenvolvidas em pouco tempo. Pense, uma criança de nove anos sabe se comunicar pela fala, escrita e aritmética básica. Coisa que dificilmente adultos nos primórdios dominavam em curto espaço de tempo, por que? Simples porque eles tiveram que inventar e desenvolver o que hoje achamos fácil e natural.

Também podemos ver isto no desenvolvimento militar. O que é algo compreensível pode ter sido guardado em grande segredo por séculos pelos líderes militares do império babilônico ou inca.

A verdade é que temos todos nós uma origem em comum, que se desenvolveu perante uma necessidade especifica, e que carrega dentro de uma linha base um pensamento similar, que é a defesa pessoal ou da sociedade.

Não interessa qual é a melhor, o que notamos e que os que se dedicam mais chegam a um nível superior de perfeição, a isto não podemos virar nossos olhos. O mundo evoluiu, modificou suas relações de fronteira e dominação.

Sabemos muito mais que antes, o problema é que ignoramos isto ou pior não aceitamos que muitas das vezes devemos nos modificar em postura física e mental para adquirir nesta nova fase uma maneira mais sábia de viver neste mundo onde o fluxo de conhecimento e informação é que nos leva ao embrutecimento.

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PRELÚDIO DOS ENTENDIMENTOS

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Somos perturbados rotineiramente em nossas vidas com o que acontece ou deveria acontecer. Muitas vezes não queremos que algo venha a se realizar e por mais que lutamos elas inevitavelmente acontecem, também o oposto pode ser vivido por nós, quando fazermos de tudo para que nossos sonhos se realizem, chega um ponto onde, por um breve momento, enxergamos que tudo conspira para que tudo fique originalmente como era.

Enfim, não queremos mudanças e elas acontecem e quando queremos mudanças elas fogem de nós. Veja bem, isto é um caso muito mais sério e profundo do qual a maioria passa pela vida ignorando. Estou falando dos efeitos daquilo que atraímos e repelimos.

Certa vez um professo de física na universidade nos fez a seguinte pergunta: “ Podemos afirmar que cargas de sinais iguais se repelem e de sinais iguais se atraem? “.

Um aluno descuidado, como eu na época, certamente afirmaria que sim, mas dentro do campo de compreensão cientifica isto pode não ser verdade. Lembro que ele depois de nos induzir a pensar nos respondeu a pergunta acima com a seguinte resposta: “Certamente que cargas elétricas de mesmo sinal se repelem, e de cargas elétricas diferentes se atraem, mas no mundo magnético, o que ocorre é justamente o contrário. Cargas de mesmo sinal se atraem magneticamente e de sinais diferentes se repelem magneticamente. “

Sem aprofundar no mundo da ciência a vida também acontece de maneira semelhante. Quando estamos triste, nervosos, combativos e intolerantes acabamos atraindo “eletricamente” – se é que isto existe – pessoas com a mesma frequência para habitarem nosso mundo e fazer dele um inferno, onde as coisas que eu não quero que aconteçam venham justamente acontecer. E olhando assim repelimos aqueles que pouco ou nada tem com a frequência baixa que emanamos.

O que diremos pois, se com uma mente lúcida, enfrentamos os vieses da vida? Aquilo que sempre deve acontecer, tomamos as rédeas dos acontecimentos, fazemos as coisas se realizarem no tempo que planejamos e esperamos, assim como também, evitamos aquilo que nos faz mal.

Repelimos e retiramos do nosso caminho tudo o que não está com frequência de nosso espirito. Este é o homem simples, porém lucido, cheio de força para dar os próximos passos.

Existem homens e mulheres que estão além de tudo isto, sabem que sua alegria pode levar a transformar a vida ou atitudes de outros, não que eles sejam atraídos mutuamente, mas que magneticamente – se é que podemos também falar isto – conseguem interagir com o oposto e muito mais que isto, não se deixam contaminar ou abater.

Não reduzem sua grandiosidade perante as adversidades, compreende que para existir o fogo, devem procurar elementos que nos leve ao fogo, e conhecendo estes caminhos adquirem a sabedoria para neutraliza-lo, quando ele não é conveniente ou então fazer com que ele apareça sob o seu controle.

São aqueles onde quando tudo está perdido, apontam a saída de forma simples, compreensível e de certa forma salvadora. Apazigua a alma dos que se encontram perdidos.

Estas mesmas pessoas podem também atear fogo quando tudo está desanimado, parado e sem esperança. Atrair ou repelir passa a ser uma via de mão dupla que quando exercida com conhecimento e sabedoria, pode tanto ser “elétrica” ou “magnética”. Somente a destreza de uma mente equilibrada é que saberá atuar como as leis da natureza trabalham.

inicio

NO INÍCIO DE TUDO

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Hoje me veio à mente que já são quase dezesseis anos desde que resolvi pôr os pés dentro de um Dojô e assumir uma caminhada com ritmo diferente. Entre o que aprendi, no que diz respeito a parte física e a teórica, digo que fui muito bem no início, me refiro a parte em que comprei o Kimono.

Sim para mim o início sempre é a parte mais fácil e gostosa, onde estamos entusiasmados, ávidos por conhecimento e pela novidade. Isto acontece em qualquer momento em que resolvemos mudar algo em nossas vidas. O desafio do novo emprego, ser pai, mãe, avô ou avó. Viajar, descobrir e velejar pelo que chamamos de existência.

Não é difícil continuar entusiasmado por viver, o que me remete a outro pensamento; como alguns conseguem se chatear com tanta novidade por aí que literalmente cai em nossa frente constantemente?

Viver é fácil e ao mesmo tempo conseguimos transformar em uma das coisas mais difíceis de enfrentar. É da natureza humana afirmam muitos. Mas o que é mesmo de nossa natureza que nos leva a ser assim?

Desde que começamos a ter tempo e capacidade de nos imaginar em terceira pessoa, reconhecer que podemos nos deslocar no tempo e espaço para indagar ou reconhecer que não somente somos uma “peça” na engrenagem universal e natural, mas que também modificamos estes mecanismos atuando intelectualmente dentro de uma mente que está em constante movimento, compreendemos melhor o que é o início de tudo ou algo próximo disto.

Buscar é a palavra que gosto de pensar e usar nestas constantes modificações que nos mesmos propiciamos. Buscamos o que é novo, buscamos o que de certa forma esquecemos, buscamos o que eleva a nossa grandeza.

Caçamos em forma de busca, rastreamos as pegadas dos antigos e o pensamento do novo, olhamos para as estrelas e imaginamos os antigos heróis que atingiram a imortalidade. Seguimos o mesmo rumo como disse fazendo a primeira parte com sucesso e devemos continuar assim para que algum dia olhando o caminho percorrido não nos venha a mente que poderíamos ou deveríamos ter feito diferente. Pois tudo está em seu lugar, onde exatamente deixamos.

escolhendo

ESCOLHENDO PELOS SENTIDOS

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Não é sempre que nosso critério de seleção nos leva ao resultado esperado. Quem nunca se enganou ao escolher um produto no catalogo de beleza onde uma mulher ou um homem de incrível encanto usa um creme ou um produto qualquer e nos passa a realidade de que ficaremos semelhante se o adquirirmos.

Somos impulsionados pelos nossos sentidos e é através deles que nos enganamos também. Uma imagem, um som, um toque ou um gosto tudo isto junto ou separado nos engana constantemente.

Desejamos, escolhemos, adquirimos e imaginamos que é bom a partir dos sentidos nada mais lógico, o início do problema é que outros mais espertos sabem disto e de maneira consciente guia as propagandas construindo um estilo de vida que não é real.

Assim, quando o que é manipulado é nosso critério de seleção não podemos esperar no resultado que estamos vendo. Vejo isto constantemente quando uma pessoa escolhe colocar os pés dentro de um Dojô tendo a ideia dos milagres dos filmes de artes marciais.

Nele o mocinho ou o bandido conseguem dar saltos incríveis, com velocidade além da imaginação e força desenvolvida em apenas dias ou semanas de treinos. Aliado a isto compreendem complexos movimentos em uma fração de segundos e o executam com perfeição. Digo que se isto acontecesse no mundo real seria o orgulho de qualquer Mestre.

Mas a vida dentro de um Dojô não é somente isto, é também a parte em que é ensinado a tolerância, o equilíbrio, o conhecimento e a sabedoria de que necessitamos para viver uma vida longe, muito longe da violência que nos é apresentada nos filmes.

Não é transformar o mundo através dos punhos, mas sim através do espirito mais evoluído de que antes do soco vem o diálogo e o entendimento de que podemos sim ser civilizados a ponto de não nos deixar enganar pelo lado que nos empurra a face mais bruta que somos.

Muitas vezes ouvi meu Professor dizer que se aplicássemos a lei “olho por olho” um dia todo mundo estaria cego. Por isto sempre será necessário antes do preparo físico, preparar o aluno mentalmente e porque não espiritualmente para entender os conceitos dos movimentos físicos que qualquer arte marcial carrega.

Porque com esta mentalidade só existem duas vias, uma é o abandono pela decepção e o outro é o desencanto por não conseguir realizar a “beleza” do que nos é apresentado nos filmes. Não podemos de forma alguma deixar que nossos sentidos nos enganem, muito pelo contrário eles foram desenvolvidos justamente para isto, para deixar que façamos boas escolhas e estas nos coloquem em situação mais elevada de vida.

Lembre-se constantemente que até podemos ver o que nos é oferecido no catálogo da vida, mas nem sempre a imagem, o som, o toque ou o gosto que ele promete é para nós a realidade que poderemos construir.

lado bom

É DIFÍCIL VER O LADO BOM SEM EQUILIBRIO

Written by Giovanni Nunes on . Posted in Crônicas e Artigos

Não limitar a vida em ver que ela acontece com mocinhos e vilões pode expandir o que compreendemos sobre o bem e o mal. O bonzinho nem sempre é o mocinho e quem ganha também nem sempre é o bem coletivo. Neste cabo de guerra o que está em jogo é nada mais que interesses que podem beneficiar ou prejudicar um dos lados.

Sendo assim, o mocinho e o bandido, são separados apenas por intensões “puras ou não” que independentemente de qualquer coisa alguém sempre arca com os prejuízos. Se de um lado da questão estão pessoa ou pessoas que lutam para que, a justiça ou um bem maior seja, feito, do outro também. Tudo é apenas um ponto de vista a ser defendido.

Não é um embate entre o bem é o mal, é sim uma guerra de opiniões e escolha de lado. Quem ganha ou quem perde já não tem interesse, pois o que está em jogo é apenas o equilíbrio de ideologias.

O que vale, o que é melhor ou o que é bom? Republica ou parlamento? Branco ou negro? Doce ou salgado? Isto olhando apenas a vida em dualidade, mas sabemos que ela existe na pluralidade. Não é o equilíbrio entre duas opções, mas de várias maneiras de viver.

Desta batalha é que vão aparecendo aqui e ali os pecados capitais que tanto conhecemos, eles possuem origem de classificação indicada a dois nomes, Tertuliano e Orígenes de Alexandria. No início eram oito, gula, luxúria, avareza, melancolia, ira, acídia, vaidade e o orgulho. Algum tempo depois a inveja era incluída nesta lista, juntamos a vaidade ao orgulho no mesmo prato, a mesma tática é empregada com a acídia e a melancolia e então a lista que conhecemos hoje são sete pecados capitais, na visão ocidental.

Mas o mundo não acontece na luta do bem contra o mal, isto até pode acontecer em uma visão onde polarizamos a existência, mas no fundo o que acontece nada mais é que um eterno equilibrar na corda bamba da vida.

Sem querer defender, mas compreender como funciona é o foco. Será que teríamos andado tanto se não tivéssemos a inveja atuando? Olhe só, invejar por invejar, não querer que o outro tenha é o extremo onde este sentimento polariza, mas se olhamos a vida ou as conquistas de outros e se neste momento pensássemos que se ele conseguir eu também posso chegar lá, então a inveja nos mostrou o caminho.

Ninguém nunca tinha feito então chegou alguém e mostrou que é possível, é uma forma de equilibrar os sentimentos que nos impulsionam. Não é impedir que a roda da vida aconteça para outros, mas saber que poderemos voar tanto quanto aqueles que observamos.

Assim a luta deixa de ser entre o bem e o mal e passa a ser entre o que eu posso ou devo fazer para que ela ocorra em águas tranquilas sem que para isto eu tenha que prejudicar outros pelo mero prazer de ver o circo pegar fogo, onde tudo e todos lutam para apagar o incêndio que enquanto está no quintal do vizinho não me preocupa.

Se não tivéssemos invejado os pássaros jamais teríamos voado, não nascemos para voar, mas voamos e nem por isto desejamos que os pássaros não voem ou os exterminamos pela inveja absoluta. Desejamos de forma saudável um dia estar com eles no céu, chegamos lá, e com isto conseguimos ir mais longe, mais rápido e porque não dizer mais alto.

Somos assim, e se os pássaros sentissem inveja também eles estariam evoluindo para competir conosco, mas isto não acontece. É da natureza humana ser um caldeirão de sentimentos, mas este caldeirão na fogueira sem controle é que é o problema. Assim sem o direcionamento certo do que sentimos fica difícil ver o lado bom pois nos falta equilíbrio.

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